O Futuro da Educação

O Futuro da Educação

É certo dizer que já estamos na quarta revolução industrial e os avanços tecnológicos têm gerado inúmeras mudanças em diversos setores da sociedade. Tudo acontece muito rápido, principalmente no que diz respeito ao mercado de trabalho – exigências profissionais, novas habilidades e funções. Contudo, ainda hoje e apesar de todas essas transformações que temos vivenciado, podemos dividir a pessoas em quatro grupos diferentes: o primeiro é aquele que ainda não sabe o que está acontecendo, não percebeu que estamos transitando para uma mudança de era; o segundo grupo traz pessoas que sabem que tem alguma coisa acontecendo, mas que ainda não entenderam e nem procuram entender o reflexo disso tudo.

O terceiro grupo é aquele que já teve a percepção dessas grandes mudanças, porém ainda não se aprofundou e também não tem buscado se capacitar. Já o quarto grupo, pequeno e bem diferente dos demais, tem procurado entender esse novo cenário, vem se adequando às novas exigências e, acima de tudo, quer saber como pode contribuir de alguma maneira, além de buscar o seu espaço neste “novo universo tecnológico”.

Entendendo cada um dos grupos, você já avaliou e se enquadrou em um deles, certo? E agora talvez você esteja questionando qual é a relação entre os avanços tecnológicos, a quarta revolução industrial e a educação.  Mas antes de adentrarmos na correlação entre essas temáticas, tenho uma pergunta: O que é a inteligência para você?

 

As diferentes concepções de inteligência

No início do século XX, um dos primeiros pesquisadores a se aprofundar no estudo do que é e de onde vem a inteligência foi o psicólogo Charles Spearman. Em sua teoria, Spearman trouxe o conceito de inteligência geral (fator g), responsável por todas as atividades intelectuais do indivíduo, fundamentado na hereditariedade. Ou seja, sugeriu que a inteligência era transmitida pelos genes.

O pedagogo e psicólogo Alfred Binet também estudou com afinco a origem da inteligência e, em 1905, apresentou o exame de diagnóstico para determinar a escala métrica de inteligência, que identificava a capacidade de aprendizagem. Essa foi a primeira versão do que hoje conhecemos como Teste de QI. À época, Binet afirmou que “o órgão fundamental da inteligência é o discernimento ou, dito de outra forma, o bom senso, o senso prático, a iniciativa, a habilidade de se adaptar. ”

Já em meados do século XX, Jean Piaget, cientista suíço responsável por estudar o desenvolvimento natural e o pensamento infantil, afirmou que “inteligência é adaptação ao ambiente físico e social. ”

Entretanto, ainda hoje, o significado de inteligência é muito subjetivo, já que cada psicólogo e filósofo, por exemplo, têm um conceito diferente, fundamentado em estudos diferentes.

Ainda utilizado atualmente, o resultado do Teste de QI baseado nos estudos de Binet pode não ser muito animador para a maioria das pessoas. Isso porque ele avalia apenas três áreas de conhecimento:  lógico-matemático, vocabulário e memorização. Ou seja, se uma pessoa não tem muita habilidade com os números, seu resultado pode não ser satisfatório. Mas é importante dizer que a aplicação desse tipo de teste não é feita de hora para outra, o correto é que tenha um objetivo específico, como a busca de um diagnóstico clínico de incapacidade cognitiva, por exemplo. Em alguns casos, também pode ser aplicado para decidir pela aceleração ou não de um aluno – se ele está apto a pular de série ou entrar precocemente na escola ou universidade – e até em uma seleção de emprego.

Inteligência x Educação

 

Muitos dos conceitos de inteligência se encaixam com os modelos educacionais existentes e suas maneiras de ensinar e avaliar o aluno. Como já comentamos, em algumas situações, o teste baseado nos estudos de Binet são aplicados no âmbito escolar para aceitar um aluno na escola ou até mesmo para que ele pule de série.  Porém, será que podemos ter certeza de que esse aluno terá um bom desempenho fora da escola, em ambientes ou situações que exijam conhecimentos diferentes dos quais ele foi avaliado (memorização, raciocínio lógico-matemático e vocabulário)? Será que esse mesmo jovem com inteligência “acima da média” teria um desempenho satisfatório em um teste de sobrevivência na Floresta Amazônica, por exemplo?

Por isso, é importante considerar que existem outras maneiras de mensurar o quão inteligente um indivíduo é, além de entender que a inteligência vai muito além do que é avaliado nos Testes de QI e no atual modelo educacional.

Uma frase do físico Albert Einstein, responsável por descobertas revolucionárias como a Teoria da Relatividade, exemplifica bem essa questão: “Todos somos gênios, mas se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em árvores ele passará o resto de sua vida pensando ser um incapaz. ”

Agora eu te pergunto: na sua época de escola, quantas vezes você se sentiu esse peixe e se considerou um incapaz por são ter conseguido executar uma tarefa, um exercício de matemática, física ou gramática?

E, certamente, os alunos de hoje continuam passando por essa mesma situação, pois acreditam não ter os recursos intelectuais exigidos na escola. Todavia, esses mesmos alunos certamente têm habilidades e um desempenho fantástico em outras atividades.

É inegável que existe uma relação de interdependência entre a inteligência e a educação, mas alguns números mundiais e nacionais podem exemplificar que essa relação esta desalinhada, o que desfavorece o jovem e seus resultados dentro da escola e, posteriormente, no mercado de trabalho.

De acordo com dados da Revista Brasileira de Psiquiatria coletados em 2017, no mundo, 10% das crianças têm déficit de atenção e 6% das crianças em idade escolar são diagnosticadas com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH); e 17% das pessoas são diagnosticadas com dislexia. Especificamente no Brasil, dados da Associação Brasileira de Psicopedagogia apontam que 55% dos alunos aos oito anos de idade e próximo de completa nove anos não estão plenamente alfabetizados; e segundo a Agência Brasil (2017), ao deixar a escola, apenas 7,3% dos estudantes atingem níveis satisfatórios de aprendizado.

Deste modo, acredito que é de suma importância pararmos para pensar e questionar se muitos desses números não podem ser o reflexo de uma metodologia de ensino arcaica. Isso porque existem diversas maneiras de ensinar e cada pessoa aprende de uma forma diferente, mas na escola tudo acontece do mesmo modo, ensinam utilizando apenas uma maneira, sem considerar a individualidade de cada aluno.

Relembrando um pouco os perfis comportamentais da Teoria DISC (Dominante, Influente, Estável e Conforme), imagine uma pessoa com perfil Dominante, mais impaciente, ou Influente, que tem certa dificuldade para se concentrar, assistindo uma aula metódica, cartesiana. Certamente eles terão dificuldades de assimilar aquilo que está sendo apresentado.

O modelo de escola que temos hoje é muito similar ao utilizado na Revolução Industrial (1760-1860): a Escola Prussiana, onde o ensino era constituído de lousa e giz, com os alunos sentados em fileiras, um atrás do outro, tendo o silêncio como medida de competência e qualidade. Hoje, a maioria das escolas utilizam ferramentas de ensino “genéricas” e padronizadas, nada muito diferente do modelo prussiano.

Com isso, o número de chances de nos deparamos com estudantes que não conseguem atingir o desempenho mínimo (nota) aceito pela instituição pode ser grande, mas isso não significa que essas crianças são menos inteligentes do que as demais. Certamente, cada uma delas tem uma maneira diferente de aprender e não se adaptou a como o conteúdo foi repassado. Mas mesmo assim elas são “punidas” por “ errarem” e não corresponderem às expectativas da escola.

Seguindo uma linha de pensamento bem diferente – e que concordo plenamente -, o multimilionário e empreendedor Elon Musk, costuma dizer que todas as conquistas que ele teve foram aprendizados de erros. Para ele, errar é uma opção para quem quer ter sucesso. E sim, errar faz parte do processo de aprender e se desenvolver.

Mas, afinal, o que tudo isso significa? Que o conceito restrito sobre o que é a inteligência aliado a uma educação defasada e que não considera todas as habilidades individuais do aluno resulta em um adulto pouco preparado intelectualmente, que não explora totalmente suas capacidades cognitivas.

Já considerando as mudanças tecnológicas e suas influências na sociedade, em 2016 o Fórum Econômico Mundial publicou o relatório global The Future o Jobs (O Futuro dos Empregos) que aborda os empregos e competências exigidas nessa nova fase mundial. Nele, uma informação chama atenção: “65% das crianças que entram no ensino primário hoje terão empregos e funções que ainda não existem. ” Ou seja, hoje nossas escolas estão formando alunos que não estarão totalmente capacitados para os empregos que estarão disponíveis num futuro bem próximo.

Ainda falando sobre os empregos do futuro, o relatório do Fórum Econômico Mundial também faz uma comparativo sobre competências exigidas e as que serão necessárias em breve, confira:

É possível perceber que muitas competências serão ainda mais valorizadas, como a criatividade e o pensamento crítico. E as grandes novidades são inteligência emocional e flexibilidade cognitiva, também serão consideradas imprescindíveis para um profissional.

 

Enfim, as Inteligências Múltiplas

Proposta pelo o psicólogo e pesquisador Howard Gardner publicou a Teoria das Inteligências Múltiplas), defende que o todas as pessoas têm nove tipos de inteligências, em maior ou menor grau, e que todas podem ser desenvolvidas e aprimoradas, são elas: lógico-matemática, linguística, musical, corporal-cinestésica, espacial, interpessoal, intrapessoal, naturalista e existencial.

Ao longo de sua pesquisa, Gardner definiu a inteligência como “um potencial biopsicológico para processar informações que pode ser ativado num cenário cultural para solucionar problemas ou criar produtos que sejam valorizados numa cultura.” Para ele, o termo inteligência, como tradicionalmente definido em psicometria (testes de QI) não é suficiente para descrever a grande variedade de habilidades cognitivas humanas.  Deste modo, a Teoria das Inteligências Múltiplas sustenta que uma criança que aprende a multiplicar números facilmente não é necessariamente mais inteligente do que outra que tenha habilidade com a linguagem escrita ou falada, ou até mesmo que outra que possua habilidades corporais, por exemplo. Gardner refere-se à inteligência como uma “capacidade computacional humana, que pode funcionar bem ou não tão bem. ”

Entenda cada uma das inteligências propostas por Gardner:

 

Lógico–Matemática – Trata-se da habilidade para o raciocínio dedutivo na solução de problemas matemáticos através do pensamento lógico e da compreensão da relação entre causa e efeito na busca por um resultado tangível.

Linguística – Caracteriza-se pelo bom domínio das palavras e da linguagem escrita e falada, e também pelo gosto especial por comunicar e expressar suas ideias e ponto de vista.

Intrapessoal – Capacidade de compreender a si mesmo, entendimento das próprias crenças, potencialidades e limitações. Controle dos vícios emocionais, identificando comportamentos inconscientes e transformando-os em atitudes positivas conscientes.

Interpessoal – Habilidade de se relacionar e interagir de maneira positiva com as pessoas.  Percebendo as intenções, sentimentos, motivações e desejos dos outros.

Musical – Perceptível pela habilidade no reconhecimento de tons e padrões rítmicos, pode também apresentar um talento nato para composição, assim como um bom ouvido para discernir timbres e notas musicais.

Espacial – É expressado pela capacidade de compreender o mundo físico (visual) com precisão, permitindo interpretar, criar e modificar imagens e experiências através da mente.

Corporal – Capacidade de controlar e orquestrar movimentos do corpo com destreza demonstrando equilíbrio e agilidade quando necessário.

Naturalista – Sensibilidade para reconhecer fenômenos e elementos da natureza, valorizar o conhecimento sobre toda a variedade de fauna, flora, meio ambiente e seus componentes.

Existencial – Compreensão de que há uma força superior.  Possui grande capacidade de conexão com o Divino, refletindo e ponderando sobre questões fundamentais da existência.

Gardner apresenta duas afirmações educacionais que são indispensáveis para realmente preparar a criança e proporcionar um ensino eficiente:

  • Individualizar ao máximo a educação. Se cada pessoa é única, cada uma aprende de uma forma diferente.
  • Pluralização do ensino, ou seja, não ensinar de um único jeito. É preciso ensinar tudo que é necessário utilizando diversas formas, pois existem pessoas que aprende vendo, outras, escutando, e tem gente que aprende fazendo.

A escola do futuro

Considerando todos esses dados, estudos e teorias, nossa concepção de escola ideal é que haja a percepção de que nem todas as pessoas têm os mesmos interesses e habilidades, e que cada uma um de nós aprende de diferente maneiras. A ideia é exercitar as habilidades individuais e avaliar de forma justa de acordo com cada tipo e inteligência e com os assuntos de interesse estudados.

Deste modo, estaremos capacitando nossas crianças e jovens para que estejam devidamente preparados para encarar e se destacar no mercado de trabalho, além de reforçar que cada um tem sua individualidade e é especialmente útil para toda a sociedade. Afinal, eles são o futuro!

O Futuro da Educação com o CIS Assessment

A próxima fase do CIS Assessment é integrar a teoria da Inteligências Múltiplas para ampliar o autoconhecimento considerando também as habilidades e inteligências do indivíduo, além do perfil comportamental.

No âmbito escolar, a ferramenta pode favorecer o direcionamento educacional individualizado dos alunos, dando mais atenção às áreas que o estudante tem mais dificuldades e extraindo o máximo potencial de suas aptidões.

Com isso, jovens que ainda não sabem qual profissão seguir terão um embasamento maior para fazerem suas escolhas, optando por áreas que estejam de acordo com seus interesses e aptidões. E poderão, ainda, se adequar às necessidades profissionais, pois saberão quais os pontos (inteligências) que precisam aperfeiçoar.

Deibson Silva

Deibson Silva

CEO Do CIS Assessment

Pedagogo, Psicanalista, Neuropsicólogo pela faculdade de medicina da USP

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